PEDRO BOTELHO GOMES
Há-de ser um processo gradual (...). E depois se irá afinando, corrigindo, acertando. Mas é preciso começar
De quando em vez, variando quiçá ao sabor das marés políticas, salta para a ordem do dia o tema da Regionalização. Na legislatura que agora decorre, anuncia-se já nova abordagem à questão. É certo que, com todas as cautelas, mais não se referiu ainda do que uma vontade de reflexão, de estudo, de análise. Então, se assim é, tentemos avançar algum contributo que, pelo menos, e despretensiosamente, ajude a balizar a prevista discussão.
Não se defenderá uma Regionalização política: as estruturas regionais do continente não deverão deter poder legislativo ou sequer regulamentador. O que
se pretenderá é tão-somente a criação de regiões administrativas que permitam adequar soluções aos problemas a resolver, incentivando o desenvolvimento dos vários núcleos do território e promovendo a maior participação dos portugueses das diferentes “regiões”, na construção de tais soluções e na descoberta e implementação das medidas que conduzam ao desejado desenvolvimento mais célere e sólido.
Sendo Portugal o país da Europa com as mais velhas fronteiras definidas, certo é que, maugrado a escassez da dimensão territorial, nos debatemos com sérias e graves assimetrias de desenvolvimento que importa eliminar.
Fique então enquadrada a questão da Regionalização como instrumento essencial do processo de desenvolvimento do país, em que a articulação entre “região” e poder central tem que ser eficaz, regulada, célere e bem afinada. E sempre de olhos postos na busca da criação de riqueza que, adquirida, se possa distribuir.
Sem qualquer messianismo a que somos tão dados, não se pense que a criação de regiões administrativas é a receita milagrosa para os problemas do país. Na solução desses teremos de nos empenhar todos, participando mais e melhor na defesa da coisa pública, no que é de todos, e que, as mais das vezes, parece não ser de ninguém.
O processo de Regionalização não há-de nascer por inspiração ou cópia de qualquer modelo estrangeiro. Subestimar as especificidades e características próprias de Portugal será sempre má solução. Fá-la-emos bem, sim, se convictos das suas virtualidades de potenciar o desenvolvimento das diferentes regiões e de corrigir assimetrias inaceitáveis.
Tem sido recorrente, e popular, o argumento de que o processo de Regionalização apenas servirá para criar lugares políticos e novos patamares de decisão, tendencialmente tornando mais pesado o funcionamento do Estado. Não é forçoso que assim seja. O sucesso da Regionalização dependerá fortemente da definição das estruturas regionais e, seguramente ainda mais, daqueles que forem os seus protagonistas.
Como nas demais instâncias do poder, tudo dependerá essencialmente da sabedoria, das qualidades, do sentido de responsabilidade daqueles que dirigem. E só poderá ser levado a bom porto de forma gradual, obedecendo a linhas gerais pré-definidas, mas com a atenção e o cuidado que levem aos ajustes que se justifiquem em cada realidade.
Há-de ser um processo gradual, mas que coloque todos na “casa de partida” em simultâneo no momento do “arranque”. E depois se irá afinando, corrigindo, acertando. Mas é preciso começar!
2009. O pior ano de sempre para as exportações com a ajuda de Angola
por Luís Reis Ribeiro, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010
Nas mercadorias, motor da economia portuguesa, as exportações afundaram mais de 18%, o pior registo desde 1960
O ano de 2009 foi o pior de sempre para os exportadores portugueses e Angola - que durante muito tempo foi a maior esperança como mercado alternativo de vendas para o exterior (é hoje o quarto destino mais importante) - também não fugiu à regra. Em 2010, a situação deverá melhorar ligeiramente, mas não compensará a grande crise do ano passado.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações portuguesas de mercadorias, o motor da economia nacional, afundaram mais de 18% em 2009, o pior registo desde 1960, pelo menos. A crise das economias europeias, que no seu conjunto compram 75% dos produtos que Portugal vende ao exterior, explica bem o sucedido. Uma atenção especial ao caso espanhol: esta economia está a braços com uma das crise mais severas de toda a Europa, e isso contagia bastante a capacidade de retoma da economia nacional. Apesar da crise e da lenta diversificação dos mercados de exportação, Espanha ainda é o melhor cliente: é para lá que vai mais de 25% da vendas totais.
A exportação de mercadorias é a mais importante já que representa cerca de 65% do total. O resto, serviços vários e turismo, tem vindo a ganhar algum peso na estrutura (reforçando a componente mais tecnológica e de maior valor acrescentado), mas ainda é insuficiente para imunizar a economia portuguesa contra a concorrência dos países de baixos custos salariais, caso da China e Índia. As principais exportações portuguesas continuam a ser máquinas e material de transporte.
Inverno angolano
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações portuguesas de mercadorias, o motor da economia nacional, afundaram mais de 18% em 2009, o pior registo desde 1960, pelo menos. A crise das economias europeias, que no seu conjunto compram 75% dos produtos que Portugal vende ao exterior, explica bem o sucedido. Uma atenção especial ao caso espanhol: esta economia está a braços com uma das crise mais severas de toda a Europa, e isso contagia bastante a capacidade de retoma da economia nacional. Apesar da crise e da lenta diversificação dos mercados de exportação, Espanha ainda é o melhor cliente: é para lá que vai mais de 25% da vendas totais.
A exportação de mercadorias é a mais importante já que representa cerca de 65% do total. O resto, serviços vários e turismo, tem vindo a ganhar algum peso na estrutura (reforçando a componente mais tecnológica e de maior valor acrescentado), mas ainda é insuficiente para imunizar a economia portuguesa contra a concorrência dos países de baixos custos salariais, caso da China e Índia. As principais exportações portuguesas continuam a ser máquinas e material de transporte.
Inverno angolano
Adverso foi também o comportamento das vendas para a economia angolana, que recentemente ultrapassou o Reino Unido, tornando-se no quarto mercado de destino a seguir a Espanha, Alemanha e França. Depois de vários anos de crescimento explosivo (51% em 2006, 39% em 2007 e 35% em 2008), Angola terminou o ano transacto a comprar menos. As exportações portuguesas para o país africano, que hoje valem cerca de 7% do total caíram cerca de 0,6%, reflectindo as dificuldades financeiras em que o país mergulhou quando o preço do petróleo começou a cair, depois do choque (pico) em meados de 2008.
Manuel Ennes Ferreira, professor do ISEG especialista em economias africanas, explica que "à economia angolana não serve um petróleo a valer 60 ou 70 dólares por barril". "Os custos de produção são elevados e como tal, os preços actuais do petróleo retiraram as margem generosas que existiam." Foi com esse dinheiro que Angola embarcou num ambicioso programa de investimentos públicos que agora "teve de ser aligeirado".
O economista explica que a situação tornou-se delicada ao ponto de o país ter de impor limites às saídas de reservas cambiais, atrasando pagamentos a fornecedores. Entre estes estão muitas empresas portuguesas, sobretudo no ramo da construção, um dos mais afectados pela secagem nas receitas do petróleo. "Menos investimento público significou menos importação (exportação portuguesa) de bens de equipamento", observa o economista. As máquinas para a construção são, justamente, a mercadoria mais vendida pelos portugueses, valendo quase 20% do valor total. "O Estado angolano nunca deixou de pagar, pediu foi mais tempo aos seus fornecedores para o fazer". A situação entretanto está "a normalizar, mas enquanto o petróleo estiver nos níveis actuais [na casa dos 70 dólares] a pressão sobre os pagamentos continua a existir", explica. Em entrevista ao i, Luís Mira Amaral, presidente do banco BIC, que está implantando em Angola, descreveu um cenário parecido.
Em todo o caso, a recuperação nas cotações do petróleo deve acontecer muito gradualmente ao longo deste ano já que as economias estão a sair lentamente da maior recessão em décadas. O barril, que em 2008, ano do boom angolano, negociou a uma média de quase 100 dólares, ficará este ano pelos 76 dólares. É pouco para uma economia que depende essencialmente desta matéria prima para crescer.
Manuel Ennes Ferreira, professor do ISEG especialista em economias africanas, explica que "à economia angolana não serve um petróleo a valer 60 ou 70 dólares por barril". "Os custos de produção são elevados e como tal, os preços actuais do petróleo retiraram as margem generosas que existiam." Foi com esse dinheiro que Angola embarcou num ambicioso programa de investimentos públicos que agora "teve de ser aligeirado".
O economista explica que a situação tornou-se delicada ao ponto de o país ter de impor limites às saídas de reservas cambiais, atrasando pagamentos a fornecedores. Entre estes estão muitas empresas portuguesas, sobretudo no ramo da construção, um dos mais afectados pela secagem nas receitas do petróleo. "Menos investimento público significou menos importação (exportação portuguesa) de bens de equipamento", observa o economista. As máquinas para a construção são, justamente, a mercadoria mais vendida pelos portugueses, valendo quase 20% do valor total. "O Estado angolano nunca deixou de pagar, pediu foi mais tempo aos seus fornecedores para o fazer". A situação entretanto está "a normalizar, mas enquanto o petróleo estiver nos níveis actuais [na casa dos 70 dólares] a pressão sobre os pagamentos continua a existir", explica. Em entrevista ao i, Luís Mira Amaral, presidente do banco BIC, que está implantando em Angola, descreveu um cenário parecido.
Em todo o caso, a recuperação nas cotações do petróleo deve acontecer muito gradualmente ao longo deste ano já que as economias estão a sair lentamente da maior recessão em décadas. O barril, que em 2008, ano do boom angolano, negociou a uma média de quase 100 dólares, ficará este ano pelos 76 dólares. É pouco para uma economia que depende essencialmente desta matéria prima para crescer.
Governo já nomeou 1361 pessoas para cargos públicos
Segundo o diário 'Público', o segundo governo de José Sócrates, actualmente em funções, já nomeou mais pessoas do que as nomeadas durante os governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes.
A partir da análise dos despachos publicados no Diário da República até dia 8 de Fevereiro, sexta-feira, o 'Público' noticia hoje que o actual executivo de José Sócrates, em funções há cinco meses, nomeou 1361 pessoas para cargos públicos, 997 das quais para ministérios.
Depois de cinco meses em funções, o governo de Durão Barroso tinha efectuado 1260 nomeações e o de Pedro Santana Lopes 1034. Em igual período de funções, o primeiro executivo de José Sócrates também tinha nomeado um número inferior de pessoas para cargos públicos: 1094.
O 'Público' refere ainda que, dos 997 nomeados para funções em gabinetes de ministérios, 323 não estavam vinculados à Administração Pública. Segundo o jornal, a maioria dos nomeados transita do anterior governo, mas há vários gabinetes que ainda não nomearam funcionários. No entanto, a média de nomeações dos 55 membros do Governo até agora ronda as 18 pessoas por gabinete.
Na legislatura anterior, e ainda segundo o 'Público', o governo de José Sócrates nomeou 2373 pessoas, o que representa, globalmente, menos 431 cargos do que os atribuídos pelo governo de Durão Barroso (2804 no total).
Portugal hodierno

A silhueta do nosso bem amado país é cada vez esta:
- centralista
- macrocéfala (em torno da capital)
- desigual
- desonesta
Como explidar, então, tanta desigualdade e tanta humilhação ao Norte?
É fácil: pelo "nosso" complexo "aristocrático" de que, em Lisboa, não se pode produzir, mas apenas mandar, qual "caput imperii" de todo o nosso Reino...
Está na altura de fazer alguma coisa e de dizer com todas as letras BASTA!!!!
Publicada por Gonçalo Marques
31 Janeiro 1891 - quando o Porto "dava cartas"
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